HYDE PARK, EUA -- Quando uma loja de conveniência foi às autoridades locais no ano passado para pedir para vender cerveja, a população da cidade de Hyde Park, em Utah, nos Estados Unidos, sabia que uma luta estava por vir. Afinal, esta quieta cidade fundada por mórmons proibia a venda de bebidas alcoólicas há tempos. E, seguindo os preceitos da religião, muito poucos na cidade bebiam.
Mas, este mês, quase dois terços dos moradores votaram pela liberação da venda de bebida, e Hyde Park deixou de ser um dos últimos bastiões da proibição do comércio de álcool.
- Este é o assunto que mais vi despertar emoções em Hyde Park - disse Bryan Cox, o prefeito, defensor da liberação.
A história do álcool em Utah é complicada, já que legisladores costumam levar em conta a influência dos mórmons na região. As regras para o consumo de bebida foram flexibilizadas aos poucos, e só em 2009 o estado aprovou a liberação de consumo para qualquer maior de idade sem a necessidade de um cadastro prévio.
Mas alguns vestígios de rigidez permanecem. Muitos drinques são preparados fora da visão dos clientes.
A discussão sobre permitir a venda de cerveja em Hyde Park fez aflorar dolorosas divisões. Uns debateram sobre o que é ser mórmon. Outros destacaram os benefícios econômicos da venda de bebidas alcoólicas. E outros simplesmente mantiveram o silêncio, temerosos de serem julgados sobre suas posições.
No ano passado, a Câmara Municipal aprovou o pedido da loja de conveniência Maverik, a única da cidade, para vender cerveja. Mas os opositores conseguiram assinaturas suficientes para obrigar a realização de um referendo entre os 3.900 moradores antes que a medida entrasse em vigor. A temperatura do embate foi alta, e houve relatos de intimidação e vandalismo com material de campanha.
- Acho que as pessoas ficaram com medo de falar o que pensavam de verdade, com receio de serem perseguidas e de que o assunto ganhasse contornos religiosos - disse Kathy Reck, mórmon e uma das líderes da campanha de oposição à venda. - Fiquei um pouco desiludida.
Para o vereador Bret Randall, que também é policial em uma cidade vizinha onde bebidas alcoólicas são vendidas, Hyde Park não deveria forçar ninguém a deixar de beber.
- Sendo mórmon, eu entendo os argumentos contrários. Mas eu sou um firme defensor do livre arbítrio. Eu não uso álcool nem incentivo ninguém a usar, mas entendo o direito que uma pessoa tem de beber.
O ponto de vista de Randall se tornou mais comum, mas ressentimentos permanecem. Alguns moradores demonstraram decepção com as mudanças na comunidade; outros afirmam que consumidores de bebida são ridicularizados. Mas todos parecem ter superado as diferenças; afinal, Hyde Park é um lugar onde não se pode evitar seus vizinhos.
Na semana passada, com as novas regras em vigor, a loja Maverik colocou uma grande faixa em sua entrada que dizia: “Obrigado, Hyde Park
Nenhum comentário:
Postar um comentário